Bom, como já não postava nada há algum tempo, resolvi publicar um excerto de um texto que escrevi no passado ano lectivo, intitulado "A Floresta dos Sonhos". Aqui fica:
A brisa da manhã acariciava suavemente as folhas das árvores. Era Primavera. Uma aragem fresca corria por entre os ramos, afagando-os com o seu sopro enternecedor. Mariana não era a deusa da floresta, mas conhecia os seus caminhos e recantos como se lhe pertencesse. Com a sua voz doce e suave entoava um leve cântico, que se espalhava até ao infinito. Toda a floresta lhe parecia corresponder, com os seus sons melodiosos. Os pássaros eram como seus irmãos. Cantavam-lhe belas melodias para a acompanharem no seu canto, e pareciam espreitá-la a cada passagem. Sem se aproximarem demasiado, mas sem sentirem o medo de que alguém não permitido lhes entrava em casa, pareciam de facto aceitá-la, não como um intruso, mas como um ser semelhantemente belo e meigo, seguindo-a de ramo em ramo e acompanhando-a com um coro. Os animais que brincavam junto aos troncos das árvores também pareciam não a temer. Também eles se escondiam nas suas tocas, mas à sua passagem iam espreitando e admirando a beleza e leveza de tão bela criatura. Algo tão calmo e puro não poderia ser mau. Todos estes sons, o dos pássaros que cantam, o dos animais que se escondem, das flores que nascem, das borboletas que batem as asas, dos ramos que se roçam numa carícia, tudo parecia acompanhar Mariana no seu belo canto, naquela melodia que se estendia pela floresta como uma pulsação da natureza.
Muitos eram aqueles que observavam a floresta de fora. Fria e escura, silenciosa e temerosa. Os ramos das árvores caíam para os caminhos, como monstros que estendem as suas garras para quem se atrevesse a atravessá-los. Os bichos que se refugiam nas suas tocas, perigosos para qualquer ser que se aproximasse. As plantas que por esta altura crescem e se povoam como uma praga que se espalha infinitamente pelo chão coberto pela manta morta. A floresta, aparentemente inofensiva… Ao menor descuido tornava-se num antro de perigos e pavor desconhecido.
Porém, na linguagem dos sonhos de Mariana, a floresta era o seu imaginário. Não existia ali um perigo constante, e perigos, porém, não os há sempre na vida? Mais, talvez, em nossa própria casa, do que naquele local puro e repleto de vida. Aliás, poderia mesmo dizer que a floresta era “a sua casa”, talvez mais do que o espaço confinado entre quatro parede de tijolos a que costumam chamar lar. Ela, contudo, sentia-se melhor ali, na floresta. Sentia a liberdade, a pureza e a felicidade. A vida de tudo o que lá habita. Vida que a fazia sentir-se, também, mais viva. Viva e solta, sem obrigações ou problemas. Livre, sem ter de seguir as regras, sem pertencer a um país, mas ao mundo, sem ser pessoa, mas um ser semelhante aos mais belos que ali se escondem. Ainda que fosse apenas por momentos, parecia esquecer-se de tudo o resto. Libertar-se de todos os problemas e frustrações e respirar, sentir o ar a entrar nos pulmões, sentir a verdadeira vida. A floresta era mágica. Mágica e fazia-a sonhar.
Muitos eram aqueles que observavam a floresta de fora. Fria e escura, silenciosa e temerosa. Os ramos das árvores caíam para os caminhos, como monstros que estendem as suas garras para quem se atrevesse a atravessá-los. Os bichos que se refugiam nas suas tocas, perigosos para qualquer ser que se aproximasse. As plantas que por esta altura crescem e se povoam como uma praga que se espalha infinitamente pelo chão coberto pela manta morta. A floresta, aparentemente inofensiva… Ao menor descuido tornava-se num antro de perigos e pavor desconhecido.
Porém, na linguagem dos sonhos de Mariana, a floresta era o seu imaginário. Não existia ali um perigo constante, e perigos, porém, não os há sempre na vida? Mais, talvez, em nossa própria casa, do que naquele local puro e repleto de vida. Aliás, poderia mesmo dizer que a floresta era “a sua casa”, talvez mais do que o espaço confinado entre quatro parede de tijolos a que costumam chamar lar. Ela, contudo, sentia-se melhor ali, na floresta. Sentia a liberdade, a pureza e a felicidade. A vida de tudo o que lá habita. Vida que a fazia sentir-se, também, mais viva. Viva e solta, sem obrigações ou problemas. Livre, sem ter de seguir as regras, sem pertencer a um país, mas ao mundo, sem ser pessoa, mas um ser semelhante aos mais belos que ali se escondem. Ainda que fosse apenas por momentos, parecia esquecer-se de tudo o resto. Libertar-se de todos os problemas e frustrações e respirar, sentir o ar a entrar nos pulmões, sentir a verdadeira vida. A floresta era mágica. Mágica e fazia-a sonhar.
=)
By: me